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HOMENAGEADOS › Belkiss Spenzièri



Belkiss Spenzière, Foto Henrique, c. 1983, Goiânia - GO. Acervo Museu da Imagem e do Som do Estado de Goias - MIS/GO.

 


Belkiss Spenzièri Carneiro de Mendonça, nasceu no dia 15 de fevereiro de 1928, na Cidade de Goiás, filha do casal Belmiro Spenzièri e Diana Luíza do Couto Spenzièri. Ela era neta de uma das pioneiras da música em Goiás, Maria Angélica do Couto Brandão, mais conhecida pelo apelido carinhoso de Nhánhá do Couto, com quem iniciou seus estudos de música em 1935. Belkiss entrou para o ensino formal no Grupo Modelo, ainda na antiga Vila Boa; depois mudou-se para Goiânia e foi estudar no Lyceu de Goiânia e, nesta instituição de ensino, em 1940, aos 12 anos, apresentou-se tocando piano, cantando, recitando e ainda tocando violino.

Quando dona Gercina Borges Teixeira, esposa do governador Pedro Ludovico Teixeira, adquiriu o piano do Palácio das Esmeraldas, Belkiss foi convidada para inaugurá-lo. Ela tinha apenas 13 anos e nunca havia tocado num piano de cauda. Ela encerrou a programação festiva com a Fantasia sobre o Hino Nacional Brasileiro, de Louis Moreau Gottschalk, compositor norte-americano que a escreveu em homenagem à princesa Isabel.

No final de 1942, ela foi morar no Rio de Janeiro, onde garantiu uma das dez vagas, entre 120 concorrentes e fez o curso superior na Escola Superior de Música da Universidade do Brasil (hoje, Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro). Belkiss casou-se, aos 18 anos, com o médico Simão Carneiro de Mendonça. Em 1956, retornando a Goiânia, ela fundou e passou a lecionar no Conservatório de Música, que atualmente é a Escola de Música e Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás, pela qual a professora aposentou-se.

Belkiss Spenzièri foi reconhecida internacionalmente pelo seu talento de mestra e exímia pianista, projetando o Brasil, com seus concertos, nos mais variados países de diversos continentes. Em 2002, foi eleita para ocupar uma vaga na Academia Brasileira de Música, entidade fundada por Villa-Lobos em 1945. Publicou inúmeros artigos sobre música nas revistas e jornais do Brasil e exterior, bem como diversos CD´s, explorando a temática musical dos clássicos brasileiros.

Belkiss pertenceu à Academia Goiana de Letras, Academia Feminina de Letras e Artes de Goiás, Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, Conselho Estadual de Cultura, Conselhos Honorífico e Deliberativo da Sociedade Goiana de Cultura, União Brasileira de Escritores (seção de Goiás), Academia de Letras e Artes do Planalto e atuou como cronista do jornal O Popular. No Rio de Janeiro, fez parte da Academia Nacional de Música, da Academia Internacional de Música e, em 2002, foi eleita para a Academia Brasileira de Música. Ela também pertenceu à Sociedade Brasileira de Musicologia e à Sociedade Brasileira de Música Contemporânea, da qual foi presidente.

O Palácio do Itamaraty, nas comemorações do centenário de Villa-Lobos, convidou a musicista goiana para divulgar parte de sua obra em vários países da América Latina, através de recitais, gravações, work-shops, master-classes e palestras em universidades e escolas.

Revelando o seu lado de escritora, Belkiss começou publicar artigos para revistas específicas de música, depois publicou dois livros: A Música em Goiás e A Invenção — Histórico, Forma e Estética, 1973; quando Domiciano de Faria e Reynaldo Rocha, a convidaram para integrar o grupo dos redatores de Crônicas e outras Histórias, do jornal O Popular (antologia), em 1998.

A musicista Belkiss Spenzièri fez a sua última viagem internacional ao Canadá e à França, em 2005, meses antes de falecer, na qualidade de convidada especial do então governador Marconi Perillo. Aos canadenses e europeus, Belkiss mostrou a alta qualidade de parte da música produzida em Goiás.

No dia 17 de novembro de 2005, Goiás perdia uma das maiores artistas de sua história. Belkiss Spenzieri Carneiro de Mendonça foi vítima de um Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVCI), aos 77, vindo a óbito, em Goiânia, onde foi sepultada no Cemitério Jardim das Palmeiras.