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Bernardo Élis, o único escritor goiano a pertencer à Academia Brasileira de Letras.
Foto de George Gafner, 1965, Goiânia - GO. Acervo Museu da Imagem e do Som do Estado de Goias - MIS/GO

Bernardo Élis Fleury de Campos Curado, nasceu em Corumbá de Goiás, em 15 de novembro de 1915. Era filho do poeta Érico José Curado e de Marieta Fleury Curado. Ele iniciou os estudos com o pai, em casa e, em 1921, transferiu-se para Vila Boa, estudando no Grupo Escolar da antiga capital do Estado. Ao retornar para Corumbá, continuou seus estudos com o pai, que estimulou a tendência do menino para as letras. Aos doze anos, Bernardo Élis escreveu o seu primeiro conto, inspirado em "Assombramento", de Afonso Arinos. Em 1928, viajou com a família para Vila Boa, onde fez o curso ginasial no Lyceu e estudou com o professor Alcides Ramos Jubé, em 1929. Demonstrando seu bom gosto literário, ampliou suas leituras, principalmente de Machado de Assis, Eça de Queirós e dos autores modernistas. Participou, desde 1934, dos acontecimentos literários do Brasil Central, escrevendo poesias e enviando colaborações de cunho modernista para os jornais. Em 1936, iniciou sua vida em função pública, como escrivão da Delegacia de Polícia em Anápolis e depois foi nomeado escrivão do cartório do crime de Corumbá. Em 1939 transferiu-se para Goiânia, onde foi nomeado secretário municipal, assumindo o cargo de prefeito por duas vezes. Após a interrupção dos estudos por dois anos, em 1940 ele concluiu o curso clássico no Lyceu de Goiânia.

Em 1942, mudou-se para o Rio de Janeiro com a intenção de ali fixar-se. Levava um livro de poesias e outro de contos, que pretendia publicar. Não conseguindo realizar seu desejo, retornou a Goiás e fundou a revista Oeste, na qual publicou o conto "Nhola dos Anjos e a cheia do Corumbá". Em 1944, seu livro de contos "Ermos e gerais" foi publicado pela Bolsa de Publicações de Goiânia, obtendo sucesso e elogios da crítica nacional. Nesse ano, casou-se com a poetisa Violeta Metran, com quem teve os filhos Ivo, Silas e Simeão. Em 1945, participou do 1º Congresso de Escritores de São Paulo, quando conheceu vários escritores nacionais, entre os quais Aurélio Buarque de Holanda, Mário de Andrade e Monteiro Lobato e, ao voltar para Goiânia, fundou a Associação Brasileira de Escritores, da qual foi eleito presidente. Ainda em 1945, formou-se na Faculdade de Direito, sendo orador de sua turma.
Bernardo Élis ingressou no magistério, como professor da Escola Técnica de Goiânia e do ensino público estadual e municipal. Em 55, publicou o livro de poemas "Primeira chuva".

Por vários anos, dedicou-se ao magistério e à vida literária e foi um dos fundadores, vice-diretor e professor do Centro de Estudos Brasileiros da Universidade Federal de Goiás e também professor de Literatura na Universidade Católica de Goiás e em cursos preparatórios ao vestibular.

Bernardo colaborou intensamente com os jornais, suplementos e revistas culturais do Centro-Oeste e participou de congressos de escritores realizados em São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Goiânia, além de promover o I Congresso de Literatura em Goiás (1953) e realizar palestras, conferências e cursos literários.

Entre 1970 a 1978, o advogado, professor, poeta, contista e romancista Bernardo Élis foi nomeado Assessor Cultural junto ao Escritório de Representação do Estado de Goiás, no Rio de Janeiro; e reassumiu o cargo de professor na Universidade Federal de Goiás. Ele também foi Diretor Adjunto do Instituto Nacional do Livro, em Brasília, de 1978 a março de 1985. Em 1986, foi nomeado para o Conselho Federal de Cultura, ao qual pertenceu até a extinção do órgão, em 1989.

Bernardo Élis recebeu vários prêmios literários, tais como: Prêmio José Lins do Rego (1965) e Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro (1966), pelo livro de contos "Veranico de janeiro"; Prêmio Afonso Arinos, da Academia Brasileira de Letras, pelo seu livro "Caminhos e descaminhos"; Prêmio Sesquicentenário da Independência, pelo estudo "Marechal Xavier Curado, criador do Exército Nacional" (1972). Em 1987, recebeu o Prêmio da Fundação Cultural de Brasília, pelo conjunto de obras, e a medalha do Instituto de Artes e Cultura de Brasília.

O nosso grande escritor é verbete no Dicionário Bibliográfico de Goiás, de Mário Ribeiro Martins e alvo de estudo no livro Dimensões da Literatura Goiana, do escritor José Fernandes. Bernardo Élis também está presente na Estante do Escritor Goiano, do Serviço Social do Comércio – SESC – além de ser personagem de vários textos de estudos especiais. Ele faz parte do Dicionário de Escritores de Brasília, do escritor Napoleão Valadares; consta na Súmula da Literatura Goiana, de Augusto Goyano e Álvaro Catelan, na Antologia do Conto Goiano, das professoras Darcy França Denófrio e Vera Maria Tietzmann Silva; Bernardo Élis é referido no livro Goiás – Meio Século de Poesia, de Gabriel Nascente e compõe a Estante do Escritor Tocantinense, que está no acervo da biblioteca pública do Espaço Cultural de Palmas. Ele ainda foi biografado no Dicionário Bibliográfico do Tocantins, de Mário Ribeiro Martins, em 2001 e estudado no Dicionário do Escritor Goiano, do escritor José Mendonça Teles.

Das obras literárias publicadas por Bernardo Élis ou sobre ele, destacam-se: Primeira chuva, poesia (1955); Ermos e gerais, contos (1944); A terra e as carabinas (1951); O tronco, romance (1956); Caminhos e descaminhos, contos (1965); Veranico de janeiro, contos (1966); Caminhos dos gerais, contos (1975); André Louco, contos (1978); Seleta de Bernardo Élis, organizada por Gilberto Mendonça Teles; estudo e notas de Evanildo Bechara (1974); Caminhos dos gerais (1975); Os enigmas de Bartolomeu Antônio Cordovil (1980); Apenas um violão (1984); Goiás em sol maior (1985); Jeca Jica, Jica Jeca (1986); Chegou o governador (1987); Obra Reunida de Bernardo Élis (1987), esta última publicação teve a colaboração financeira do Governo de Goiás e foi publicada pela Editora José Olympio, do Rio de Janeiro, em cinco volumes.

O escritor Bernardo Élis foi o único goiano a chegar na Academia Brasileira Letras, como quarto ocupante da Cadeira nº 1, depois que foi eleito, em 23 de outubro de 1975, na sucessão de Ivan Lins, concorrendo com o ex-presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira. Quem recepcionou Bernardo Élis na ABL foi o acadêmico Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, no dia 10 de dezembro de 1975.

Após casar-se com a artista plástica, professora e escritora Maria Carmelita Fleury, o escritor residiu em Brasília e trabalhou no Instituto Nacional do Livro. Quando voltou a Goiânia, assumiu a presidência da Fundação Cultural Pedro Ludovico Teixeira, no governo Maguito Vilela (1994 a 1998).

No dia 30 de novembro de 1997, o escritor Bernardo Élis, faleceu, aos 82 anos, em Corumbá de Goiás; e foi enterrado no Mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro.