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HOMENAGEADOS › Célia Câmara



Nascida em Jacarezinho, Paraná, foi pioneira do jornalismo feminino na televisão - Foto: Marcos Lôbo.

Maria Célia Câmara, nascida no dia 23 de março, em Jacarezinho, Estado do Paraná, mas foi criada na cidade de São Paulo. Ela casou-se, em 1943, com o jornalista Jaime Câmara, em Goiânia. Ele foi o fundador, em 1938, do jornal O Popular. O casal teve filho único, Jaime Câmara Junior.

Célia Câmara atuou de maneira corajosa em defesa da arte e da cultura e, assim, tornou-se  marchand respeitada, que promovia exposições e eventos, tanto em Goiânia como em Brasília, onde foi morar em 1974, devido à eleição de Jaime Câmara para deputado federal, cargo que ele exerceu por dois mandatos.

Com a exposição de Walter Lewy, Célia entregava a Goiânia, em 1972, a Casa Grande Galeria de Arte, que mais tarde viria ser renomeada para Fundação Jaime Câmara, mas sem mudar a sua essência na promoção de exposições, lançamentos de livros, conferências, cursos e concursos literários, revelando ou reconhecendo o talento de artistas importantíssimos: Tiana Tomé, Neusa Garcia, Leides Machado César, Omar Souto, Juca de Lima, Antunes Arantes, Alexandre Liah, Siron Franco, Isa Costa, Cléber Gouvêa, Roos, D. J. Oliveira, Cléia Costa, Selma Parreira, Elder Rocha Lima, Tai Hsuan-na, Geovanni, Dinéia Dutra, Lita Xavier, Antônio Poteiro, dentre tantos outros.

Inesquecível para os artistas goianos e brasilienses foram os concursos promovidos por Célia Câmara, com destaque para Novos Valores e 90 horas de pintura contemporânea, além de exposições itinerantes, que agitaram o mundo das artes nos municípios de Goiás. Foi dela também a brilhante ideia de criar uma galeria aberta, com exposição de esculturas, através do projeto Artes ao Ar Livre, que ocupou os canteiros centrais da Avenida Goiás, em Goiânia, no mês de outubro de 1978. Multicultural, Célia também adorava promover mostras de objetos antigos e revelar toda a beleza do artesanato indígena. No ano 2000, ela foi a idealizadora e executora da implantação do Museu de Escultura ao Ar Livre, na Praça Honestino Guimarães (Praça Universitária), que encanta a todos que passam por aquele logradouro. O Museu é composto por 26 esculturas e 2 painéis e teve o apoio decisivo da Lei Rouanet e a imprescindível colaboração da Associação dos Escultores de Goiás.

Célia Câmara conheceu e apreciou a arte de grandes artistas brasileiros e internacionais: Lasar Segall, Eliseu Visconti, Bernardo Cid, Glauco Pinto de Morais, Aldemir Martins, Dom Pedro de OrIeans e Bragança e Cláudio Tosi. Essa paixão pela arte fez com que ela se tornasse uma colecionadora de obras espetaculares.

Dinâmica e visionária, Célia Câmara foi pioneira ao colocar no ar, no dia 09 de março de 1981, o programa Mulher, que ela dirigiu, auxiliada por Glória Drummond, uma atração regional que promovia as lutas femininas na TV Anhanguera, vencendo preconceitos, mais tarde, firmando a Feminina, a Revista da Mulher Goiana, trabalho que contou com uma equipe profissional e eficiente, composta de nomes consagrados: Tereza Sabino Louza, Nize de Freitas, Genoveva Moraes, Lívia Rizzo, Zezé Theodoro, Emília de Rezende, Cida Souza, Neila Valadares, Maria José; e a técnica televisiva do câmera Luiz Ventura e do diretor Luiz Elias. O programa foi sucesso absoluto de audiência e, durante mais de seis anos, conquistou a admiração do público goiano.

Célia Câmara fundou, no dia 08 de dezembro de 1987, a JBr Galeria, em Brasília, com a exposição dos artistas plásticos Gilvan Cabral, Pedro Pereira, Siron Franco, Cléber Gouvêa e Amaury Menezes.

Dividindo sua atenção entre Goiânia e Brasília, Célia Câmara foi vice-presidente da TV Anhanguera, da Associação de Imprensa de Brasília e da Federação das Associações de Imprensa do Brasil-FENAI-FAIBRA do Distrito Federal, além de assessora da Fundação das Nações Indígenas do Tocantins e diretora do Jornal de Brasília.

Célia foi homenageada com o diploma Brasão de Fundação (título de benemérita da Academia Brasileira de Arte, Cultura e História de São Paulo); Medalha Carlos Gomes (Sociedade Brasileira de Arte, Cultura e Ensino de Campinas-SP); Medalha Amigos da ANSEF (Associação Nacional dos Servidores da Polícia Federal, Brasília) e título de Cidadã Goiana, outorgado pela Assembleia Legislativa do Estado de Goiás. Ela também recebeu homenagem na Festa Social das Mulheres Atuantes do Estado de Goiás. Célia ainda foi membro fundadora da Academia Trindadense de Letras, que tem como patrono Jaime Câmara.

Célia Câmara viajou diversas vezes ao exterior, mas apreciava ficar entre os índios. Ela cultuava a saúde e o esporte, tanto que fazia corridas e praticava capoeira, ginástica e voava de ultraleve.

Célia Câmara viveu intensamente e deixou uma grande lacuna nas artes e na vida social goiana, quando faleceu, no dia 28 de setembro de 1998, sob os cuidados do médico Francisco Ludovico de Almeida.