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HOMENAGEADOS › Cléber Gouvêa



Cléber Gouvêa, Foto de Alois Feichtenberger, 1974, Goiânia - GO. Acervo Museu da Imagem e do Som do Estado de Goias - MIS/GO

Cléber Gouvêa, nascido em Uberlândia, Minas Gerais, em 1942. Teve iniciação artística com apenas 12, aprendendo as técnicas básicas de artes plásticas com Geraldo Queiroz e, em 1957, conheceu o escultor Franz Weissmann. Em 1958, vislumbrando aperfeiçoar seu trabalho, foi para a capital mineira, Belo Horizonte, onde conheceu a pintura do modernista Alberto da Veiga Guignard (1896-1962).

Seguindo uma tendência histórica de aproximação entre Goiás e Minas, Cléber aceitou, em 1962, o convite da escultora Maria Guilhermina e mudou-se para Goiânia, passando a compor o quadro de professores da Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás, na qual ensinou técnicas de gravura e de pintura, atuando na formação de vários artistas, em quase 30 anos de atuação acadêmica. Artistas talentosos, que se consagraram posteriormente, tais como Cléa Costa, Roos, Selma Parreira, ZéCésar Clímaco, Carlos Sena, dentre tantos outros; estudaram com Cléber Gouvêa. Um dos maiores nomes das artes plásticas de Goiás, do Brasil e do mundo, Siron Franco, dividiu o ateliê com ele.

Pelo seu espírito irrequieto, Cléber Gouveia participava de várias atividades artísticas ao mesmo tempo e chegou a trocar experiências com D. J. Oliveira, Frei Nazareno Confaloni e Gustav Ritter, nomes importantes para a evolução das artes visuais em Goiás.

A contribuição definitiva de Cléber veio nos anos 60, quando ele fez uma ruptura radical com os cânones da pintura goiana, ainda atrelada à figuração e ao expressionismo. Ele, com muita ousadia, investiu tempo e trabalho na abstração geométrica, nas formas orgânicas bipartidas, amorfas e de conteúdo simbólico; causando espanto proveitoso e novos olhares para os seus quadros.

Na década de 1990, continuou o trabalho de investigação de Cléber que, usando novos materiais e a renovação da temática, demonstrou sua sensibilidade na construção de uma pintura intuitiva, densa, poética e enigmática, que valoriza a inteligência e o poder de análise, tanto do crítico de arte quanto do público apreciador.

Segundo Carlos Sena, professor-mestre de História da Arte Moderna e Contemporânea da FAV/UFG, Cléber Gouvêa desenvolvia seus projetos, investigava materiais e incorporava areia e folhas de papel na tinta à base de nitrocelulose. “As aparências distintas das originais tinham o objetivo de promover certo grau de ilusão, de seduzir o olhar pelas texturas originadas de uma memória do mundo”, afirmou.

Cléber realizou sua a última exposição em setembro de 1999, no Palácio Conde dos Arcos, com uma série de painéis, que denominou Serra Dourada. Não por acaso, a exposição foi na Cidade de Goiás. No dia 12 de março de 2000, falecia o artista plástico Cléber Gouvêa, aos 58 anos, em Goiânia.

A Galeria de Arte da Faculdade de Artes Visuais (FAV) da UFG prestou homenagem pelos nove anos de falecimento de Cléber Gouvêa. Aberta no dia 9 de junho de 2009, a exposição Tempo de Rever Cléber Gouvêa, com 17 obras do artista, reuniu exemplares de colecionadores e de familiares. A curadora da exposição foi Selma Parreira, ex-aluna de Cléber Gouvêa.