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D. J. Oliveira foi pintor, gravador, cenógrafo, figurinista e professor.

Dirso José de Oliveira, nascido em 1932, na cidade de Bragança Paulista, Estado de São Paulo. Desde criança, ele demonstrava a sua vocação para as artes plásticas. Com apenas 10 anos, já iniciava-se nos estudos de desenho e pintura, sob o olhar do pintor Luís Gualberto, em Bragança. Em 1948, foi para a cidade de São Paulo e trabalhou como auxiliar de artesãos especialistas em decoração de paredes e pintura de frisos. D. J. Oliveira atuou também como assistente de pintura em murais e em cenografia. Com o artista Angelo de Sordi, ele aprendeu as técnicas do afresco, da têmpera, da encáustica, do esgrafito e da pintura a óleo. Em 1954, o cenógrafo Luciano Maurício o inicia na arte moderna e leva-o para a Rede Globo, onde D.J. Oliveira trabalha como cenógrafo por um ano.

Entre 1946 e 1955, D. J. Oliveira mantém contato com artistas da Fundação Armando Álvares Penteado e é orientado por Laurindo Galante, escultor e professor do Liceu de Artes e Ofícios e da Escola Técnica Getúlio Vargas. No convívio com o grupo de Galante (ou Grupo do Braz), ele tem aulas de Desenho (1948 e 1949) e conhece Francisco Priori e Alfredo Volpi que, em 1949, o põe em contato com o Grupo Santa Helena.

Em 1956, D. J. Oliveira mudou-se para Goiânia e criou seu ateliê de pintura e desenho publicitário, fazendo vitrines e cartazes. De 1961 a 1972, lecionou Pintura, Desenho e Gravura na Escola Goiana de Belas Artes da Universidade Católica de Goiás, produziu cenários e figurinos para teatro e fundou o Ateliê Livre da Escola de Belas Artes na própria UCG. Ainda em 1956, ele abre o primeiro ateliê livre e coletivo de pintura moderna em Goiás. Desse espaço democrático de arte, participaram Juca de Lima, Agostinho de Souza, Siron Franco, Roosevelt, Washington Honorato e Amaury Menezes e, posteriormente, Isa Costa, Ana Maria Pacheco, Vanda Pinheiro, dentre tantos outros.

Em 1961, em reconhecimento ao trabalho de D. J. Oliveira como cenógrafo, ele é convidado por Luiz Curado para ser professor da Escola Goiana de Belas Artes da Universidade Católica de Goiás, onde ensinou Desenho, Pintura e Gravura em madeira. Como professor da EGBA e bolsista, D.J. Oliveira foi à Europa e conheceu a Espanha, Holanda, Itália, França, Inglaterra e Suíça; excursão que rendeu uma revisão geral de seus conceitos sobre arte e sobre a gravura. Nessa viagem, ele teve contato com o trabalho de artistas modernos como Giotto, Goya e Picasso. Em 1972, deixou a EGBA e passou a se dedicar exclusivamente à arte, trabalhando com murais, pinturas e gravuras.

D. J. Oliveira volta à Goiânia em 1970 e dedica-se à gravura em metal, abandonando a pintura, temporariamente. Com uma rara veia poética, ele lança álbuns, retratando personagens da literatura, tais como Dom Quixote e Sancho Pança e o estudo sobre Antônio Conselheiro.

Em 1973, muda-se para Luziânia e volta à pintura, da qual ficou afastado por três anos. Já nos anos 1980, produziu o mural O Sonho de João Bosco, com 170 metros, homenageando o padre que dedicou parte da sua vida à educação de jovens carentes. Devido à deterioração do mural O Sonho de Dom Bosco, ele criou um novo painel em cerâmica vitrificada, com a cooperação e verbas de instituições culturais e órgãos públicos, que terminou em 1996. Em 1981, D. J. Oliveira abandona a gravura.

Em Goiânia, vários murais simbolizam a arte de D. J. Oliveira, tais como: mural do Colégio Maria Auxiliadora (Praça do Cruzeiro); mural do Clube Ferreira Pacheco e o mural da Praça Universitária (no antigo prédio da Reitoria da UFG).

D. J. Oliveira participou, ao lado de outros artistas, de atos públicos a contra a demolição de prédios que estampavam murais artísticos. Em 1991, aconteceu o lançamento do curta-metragem Nove Minutos de Eternidade - Vida, Corpo e Obra de D. J. Oliveira.

O embaixador Lauro Moreira doou um painel ao Governo de Goiás, confeccionado em azulejos por D.J. Oliveira, com aproximadamente 10 metros de comprimento e 2 metros de altura, retratando chegada dos Bandeirantes e do Anhanguera, a exploração do ouro e a Cidade de Goiás, datado de 1996. Este painel foi instalado no Centro Cultural Oscar Niemeyer.

No dia 23 de setembro de 2005, o artista plástico D. J. Oliveira faleceu em Goiânia, deixando como herança a grande evolução das artes visuais no Estado de Goiás.

Comemorando os 50 anos de artes visuais do pintor D. J. Oliveira, A Universidade Católica de Goiás, atual Pontifícia Universidade Católica de Goiás realizou, a partir do dia 17 de outubro de 2005, a exposição de seus trabalhos no Espaço Cultural da Área 3 da Instituição, evento que marcou também as  comemorações dos 46 anos da Universidade.