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HOMENAGEADOS › José J. Veiga



José J. Veiga nasceu em Corumbá de Goiás, no dia 2 de fevereiro de 1915. Ganhou, em 1997, o Prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras, reconhecendo a importância do conjunto de sua obra.

José Veiga, filho de Maria Marciana Jacinto e Luiz Pereira da Veiga, nasceu em Corumbá de Goiás, no dia 2 de fevereiro de 1915, na fazenda Morro Grande, entre Corumbá e Pirenópolis. Ele saiu de Corumbá após a morte da mãe, visto que o pai não tinha condições de sustentar o filho. José Veiga passou a morar com os tios, na capital do Estado, então, a Cidade de Goiás.

Nosso homenageado estudou humanidades no Lyceu de Goiás e, aos 20 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde ingressou na Faculdade Nacional de Direito. Em 1945, ao ser contratado pela BBC de Londres, José Veiga foi para a Inglaterra, onde trabalhou como comentarista e tradutor de programas para o português. No retorno ao Brasil, em 1949, ele exerceu o jornalismo, escrevendo para o jornal O Globo; depois, para o jornal Tribuna da Imprensa e Seleções do Reader’s Digest. Aos 44 anos, José Veiga publicou contos no Suplemento Dominical do Jornal do Brasil.

Em 1959, José Veiga ganhou o Prêmio Fábio Prado, com seu livro de contos Os cavalinhos de Platiplanto, sua obra de estreia e que marcou a escolha de seu nome literário, com a decisiva participação do mineiro Guimarães Rosa, de quem era amigo e que, com fortes argumentos numerológicos e estilísticos, sugeriu a inserção do J. no nome do autor, que acolheu a dica e passou a usar José J. Veiga. Desde então, ele não gostava que grafassem J.J. Veiga e preferia José Veiga ou, como ficou nacional e internacionalmente conhecido, José J. Veiga.

José J. Veiga publicou várias obras significativas para a literatura brasileira: Os cavalinhos de Platiplanto (contos). Rio de Janeiro, Nítida, 1959; A hora dos ruminantes (romance). Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1966; A máquina extraviada (contos). Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1967; Sombras de reis barbudos (romance). Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1972; Os pecados da tribo (novela). Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1976; O professor Burrim e as quatro calamidades. [Coleção do Pinto]. Belo Horizonte: Comunicação, 1978; De jogos e festas (novelas). Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1980; Aquele mundo de Vasabarros (romance). Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1982; Torvelinho dia e noite (romance). Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1985; A casca da serpente (romance). Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1989; O risonho cavalo do príncipe (romance). Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1992; O relógio Belisário (romance). Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1995; Tajá e sua gente. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1997; Objetos turbulentos (contos). Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1998.

O autor goiano ainda traduziu grandes obras da literatura mundial, como Ernest Hemingway, e teve livros publicados nos seguintes países: Portugal, Espanha, México, Suécia, Estados Unidos, Inglaterra, Noruega e Dinamarca.

Pelas características das suas obras literárias, José J. Veiga é visto como um autor de estilo refinado, contista envolvente e mestre na tradução da língua inglesa. Quando seus livros foram considerados Literatura Fantástica, o próprio autor não aceitou, pois considerava o rótulo apenas um modismo, ao qual era antecessor. O trabalho do escritor goiano foi consagrado e reconhecido pelos leitores, também pela abordagem político/social, quando o Brasil era governado pela ditadura militar.

José J. Veiga ganhou, em 1997, o Prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras, reconhecendo a importância do conjunto de sua obra.

O escritor goiano José J. Veiga faleceu no dia 19 de setembro de 1999, aos 84 anos, no Rio de Janeiro, onde viveu por 49 anos.